Cansei de ser palhaço, diz corretor de seguros que questiona ruptura em grade de comissionamento e a inépcia do Sincor

agenciaweber

agenciaweber

Em defesa de seus associados, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), recentemente solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF), a anulação das interceptações telefônicas ilegais, autorizadas pelo juiz Sergio Moro, dos advogados Roberto Teixeira e Cristiano Zanin, que fazem a defesa do ex-presidente Lula.

É o mínimo que se espera de uma entidade para a qual seus sócios contribuem. Isto vale para sindicatos, associações, e outras agremiações.

Nem de longe, foi este apoio que encontrou o corretor Nelson Fernandes, quando recorreu ao Sindicato dos Corretores do Estado de São Paulo (SINCOR), para resolver – ou intermediar – um impasse entre o associado e a Bradesco Seguros.

Nelson Fernandes, 55, iniciou sua carreira comercializando planos de saúde, mas, a fim de atender seus clientes, que, cada vez mais encomendava-lhe orçamentos de outros produtos, fez o curso da Funenseg e há 15 anos está devidamente registrado na Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) e, agora, 20 anos depois que iniciou sua carreira, atende todos os ramos.

“Seguro de RE é uma consequência, o meu forte são os seguros nobres, Saúde, Vida e Previdência, que, infelizmente, são os primeiros a serem cortados em momento de crise”, enfatiza o corretor que rasga elogios à Unisaúde Master, plataforma responsável pela intermediação dos seus papéis relativos às operadoras. “Eu entrego minha produção lá, eu recebo minha comissão lá, eu tenho todo o meu suporte lá, eu não tenho absolutamente nenhuma queixa da plataforma. Eu só não entrego tudo, porque eu tenho o meu código nas seguradoras”, ressalta.

Fernandes orgulha-se de ter a sua carreira confundida com a história da Bradesco Seguros. “O meu relacionamento com a Bradesco Saúde tem a ver com o meu começo de carreira. Eu comecei dentro de um escritório da Bradesco Saúde, desde a época em que ela começou a operar em São Paulo com saúde individual”, continua. “A minha reclamação com relação à seguradora, é que ela vinha praticando um pagamento sobre produtos de seguro saúde para pequenos grupos. Então ela paga as angariações e a corretagem. Só que ela pagava as angariações também sobre cada inclusão”, explica.

O corretor Nelson Fernandes, um exemplo de profissional no mercado, questiona, entretanto, a ruptura unilateral de um acordo verbal firmado entre a seguradora e os corretores. “Quando você fecha um seguro saúde PJ, você recebe 200% ou 300% de comissão, mais carteira. A Bradesco Saúde paga 300%, só que a cada inclusão, ela também vinha pagando 300% dessa inclusão. A partir de setembro de 2015, no entanto, ela interrompeu esse mecanismo de pagamento, alegando que ela era a única no mercado que pagava angariação sobre novas vidas. Perfeito, não tenho nada contra”, diz conformado.

O problema, segundo Fernandes, começa, quando a Bradesco Saúde, que poderia manter-se destacada no mercado por ser a única a pagar um comissionamento diferenciado, muda as regras do jogo no meio do caminho e, pior, de forma unilateral. “Qual era o grande atrativo da seguradora e que levou os corretores a empurrá-la ao primeiro lugar no ranking? Era a solidez do produto, o pagamento da comissão, que comercialmente para o corretor era atrativo, então, todo conjunto te levava a oferecer o Bradesco Saúde, com plena satisfação. E ela era a única a fazer isso. Em setembro de 2015, no entanto, ela deixa de pagar as angariações sobre novas inclusões. Só que ela estabeleceu essas normas para as apólices novas e para as fechadas antes de setembro/2015. Essa é a minha queixa. Eu não tenho nada contra as mudanças na política da seguradora, mas não mexa no que já foi fechado, porque quando você altera e retroage a regra, você quebrou um fluxo de pagamento de milhares de corretores que já têm um fluxo de caixa permanente na sua empresa que simplesmente evaporou”, desabafa.

Esta é a demanda do corretor Nelson Fernandes, que, ao procurar o Sincor, recebeu a compreensão de sua queixa, mas não uma ação mais incisiva da agremiação para a qual ele contribui mensalmente. Uma carta lacônica e quase monossilábica foi a resposta da Bradesco Seguros, resultado da frágil interferência do Sincor.

“Depois disso, eu comecei a entrar em contato com o Sincor e este entrou em contato com a seguradora e ela até mandou uma carta respondendo. Ora, na minha classe profissional o Sincor é o sindicato mais poderoso do País, o mais influente. Pelo menos deveria ser. Mas ficou por isso mesmo. Então, eu vou protocolar uma carta na seguradora e se eu não tiver uma resposta favorável, eu vou entrar na justiça. Porque, quando você dá entrada numa proposta a seguradora pergunta que comissão você quer receber e você escolhe. Isto é escolhido na hora e ninguém assina nada. A interlocutora que me atendeu na seguradora me disse que eu sou o quarto corretor que formaliza esse tipo de reclamação. Os demais não reclamam porque trabalham em agência, então não podem discutir esse tema para não sofrer uma represália. Eu fiquei profundamente decepcionado; primeiro: com a postura da seguradora, eu tomei a liberdade de consultar o balancete dela e vi que ela movimentou em prêmios mais de R$ 64 bilhões. O Grupo Bradesco Seguros. Em 2014. Em 2015 deve ter faturado mais. Fiquei decepcionado com a postura do Sincor. O pessoal que me atendeu falou que a minha solicitação procede e é legítima, mas não usou a sua força política para ajudar um associado e eu me sinto no mato sem cachorro”, dispara o corretor que não tem papas na língua.

“Quando eu procurei o Sincor a primeira vez, foi para denunciar no Jornal [do Sincor]. Eu queria que toda nossa classe visse que tem um cara reclamando, mas… nada, eles não publicaram. Aí eu vi o seu Blog. O último e-mail que eu troquei com o Sincor, com o diretor da Zona Leste eu avisei que estava vindo para uma entrevista e disse que tinha a impressão que, com o Sincor, havia esgotado as possibilidades e que eu ia fazer de tudo para fazer a minha reclamação ecoar. Eu quero que a seguradora saiba que as pessoas tomaram o golpe, mas não assimilaram. Se um juiz disser que eu estou errado eu vou me conformar, mas se a minha reclamação for justa, eu acho que é, eu quero o meu dinheiro e quero corrigido. E vou tornar isso público e vou usar o seu Blog. Eu parei de pagar a mensalidade do Sincor. Eu vou pagar o que é obrigado, que é a contribuição sindical, sai até mais barato para mim, como pessoa física ou jurídica. O sindicato custa R$ 700 por ano, a [contribuição] sindical custa R$ 200. Quando eu precisei do Sincor, num único evento, eu não senti firmeza. Eu sei que essa carta que eu vou protocolar agora não vai dar em nada. Vou receber uma resposta tão vazia quanto a primeira carta. No curso da Funenseg uma das matérias que mais me atraiu foi a matéria que trata de Ética Profissional. É esta ética que eu estou reivindicando”. Concluiu.

Decidido a lutar pelos seus direitos, o corretor Nelson diz não temer retaliações como por exemplo bloqueio de seu código. "Serão dois trabalhos: Cancela e depois vai ter de reativar, porque eu recorro à justiça para reaver os meus direitos. Eu tenho vários clientes com seguro de automóveis, com seguro saúde, com seguro de vida… e aí? Meu código está bloqueado por qual motivo? Qual é a alegação? Qual o perigo que eu eu represento?", disparou.

Com a palavra: o Sincor e a Bradesco Seguros.

Compartilhar:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Email

Deixe um comentário

Você pode optar por ficar anônimo, usar um apelido ou se identificar. Participe! Seus comentários poderão ser importantes para outros participantes interessados no mesmo tema. Todos os comentários serão bem-vindos, mas reservamo-nos o direito de excluir eventuais mensagens com linguagem inadequada ou ofensiva, caluniosa, bem como conteúdo meramente comercial. Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

JORNALISTA

Emmanuel Ramos de Castro
Amante da literatura, poesia, arte, música, filosofia, política, mitologia, filologia, astronomia e espiritualidade.

Categorias

Veja Também:

Fale com o Blog!