Estudos mostram que a maior parte das metas de bem-estar é abandonada nas primeiras semanas do ano, acendendo um alerta para líderes e áreas de pessoas
Por Alice Saúde | Gabriela Vasconcelos
SÃO PAULO — Estatisticamente, a maior parte das pessoas abandona suas metas anuais como saúde, bem-estar ou desempenho pessoal e profissional em meados de janeiro. Dados da plataforma Strava mostram que cerca de 80% das resoluções de ano-novo se desfazem por volta do segundo fim de semana do mês e que apenas 8% das pessoas conseguem sustentar suas metas até fevereiro. No ambiente corporativo, esse padrão recorrente levanta um alerta sobre os limites de metas individuais e pode afetar o desenvolvimento e a performance dos colaboradores.
A temporada tornou-se um sinal de alerta para organizações e gestores de saúde corporativa. A desistência precoce de metas expõe os limites de objetivos individuais, com pouco acompanhamento e sem suporte adequado. “O período de desistência revela um problema maior do que a falta de disciplina individual. Ele mostra o quanto as empresas ainda têm oportunidade de ajudar as pessoas a cuidarem da sua saúde. Quando metas fracassam, o impacto aparece em engajamento, produtividade e afastamentos ao longo do ano. Para as organizações, apoiar saúde não é sobre campanhas pontuais, mas sobre criar condições contínuas para que as pessoas consigam sustentar escolhas saudáveis”, afirma Pedro Rodrigues, Chief Revenue Officer da Alice, plano de saúde para empresas.
Pesquisas em saúde comportamental indicam que a ausência de apoio e de acompanhamento estruturado está associada a maiores taxas de desistência de metas de saúde ao longo do tempo, enquanto intervenções com suporte contínuo tendem a melhorar adesão e manutenção de comportamentos saudáveis (International Journal of Environmental Research and Public Health, 2024). Sem visibilidade sobre como a saúde evolui ao longo do tempo, pessoas e empresas só percebem problemas quando eles já se agravaram. Nesse cenário, metas viram tentativas isoladas e de curta duração, que não se sustentam sem suporte contínuo.
É a partir dessa lacuna que a Alice estruturou o Score Magenta, um indicador que acompanha de forma contínua a saúde física, mental e os hábitos de vida das pessoas ao longo do ano. Desenvolvido por profissionais de saúde com base em protocolos científicos reconhecidos, o índice permite sair da lógica do “começo do ano” e observar tendências, sinais de alerta e evolução real, não apenas intenções.
“O acompanhamento contínuo muda a relação das pessoas com os próprios objetivos. Em vez de esperar que algo dê errado para agir, conseguimos identificar sinais de desgaste emocional, cansaço ou desorganização da rotina antes que a desistência aconteça”, explica o CRO. Aplicado de forma periódica, o Score Magenta ajuda a transformar metas abstratas em acompanhamento concreto. Para as pessoas, isso significa não caminhar sozinhas; para as empresas, a possibilidade de atuar preventivamente, em vez de reagir apenas quando o problema já virou afastamento ou queda de desempenho.
Em nível organizacional, os dados do Score Magenta, sempre agregados e anonimizados, ajudam RHs e lideranças a entender onde estão os principais pontos de atenção ao longo do ano e a desenhar estratégias de saúde mais consistentes. “Metas só se sustentam quando existe estrutura para apoiá-las. Saúde não é um projeto de começo de ano, é um processo contínuo, que precisa ser cuidado todos os dias”, conclui o executivo.







