Por Emmanuel Ramos de Castro | Da Redação
As supervisoras e gestoras do mercado de planos de saúde ocupam um lugar que poucos enxergam com a justiça que merecem, embora praticamente tudo dependa delas para que a engrenagem comercial funcione de verdade. Num setor em que a venda é o pulso e a meta é o relógio, costuma-se olhar com admiração (e com razão) para quem está na ponta, enfrentando o cliente, vencendo objeções, lidando com comparações, preços, inseguranças e indecisões. Corretoras e corretores vivem o peso diário do “não”, carregam o cansaço de uma negociação que nem sempre se resolve no tempo desejado e, ainda assim, seguem, insistem e se reinventam. O mercado, reconhecendo esse esforço, criou tradições, prêmios e homenagens que fazem sentido. Mas existe uma categoria que sustenta a pressão de maneira ainda mais invisível e, por isso mesmo, costuma receber menos holofote do que merece: as supervisoras, e, de modo especial, as mulheres que lideram equipes, carregam resultados e conduzem pessoas em um ambiente de alta exigência.
Porque, no comercial, a pressão não é um evento; é o clima. E se a ponta sente a tempestade diretamente, a supervisora é quem mantém o rumo do barco enquanto a água bate. Ela está no centro do que realmente define performance: consistência, método, disciplina, cultura e energia. É ela quem transforma cobrança em direção, ansiedade em plano de ação, dispersão em foco. É ela quem sustenta a rotina que ninguém aplaude, mas sem a qual não existe resultado sustentável: acompanhar funil, ajustar discurso, organizar prioridades, ensinar abordagem, corrigir rota, alinhar postura, lidar com conflitos, administrar egos, recompor ânimo, exigir sem humilhar, orientar sem sufocar, cobrar sem destruir. E tudo isso acontece ao mesmo tempo em que ela também é cobrada por números, por previsibilidade, por crescimento, por volume, por produtividade. A supervisora vive numa posição em que precisa ser firme para o time e convincente para a direção; precisa defender o padrão e, ao mesmo tempo, proteger pessoas; precisa manter o ritmo sem desumanizar o processo. É uma engenharia diária de resultado, mas também uma gestão real de gente, com todas as variáveis que a palavra “gente” carrega.
E quando essa gestora é mulher, o peso costuma ser dobrado por uma expectativa silenciosa que o mercado, muitas vezes, finge não ver. São mulheres que lideram sob pressão e, fora dali, continuam liderando a vida: mães, esposas, donas de casa, cuidadoras, organizadoras do cotidiano. São mulheres cobradas para serem fortes, mas sem parecerem duras; empáticas, mas sem “abrirem mão” da meta; rápidas, mas sem errar; firmes, mas sem incomodar. Ainda assim, elas seguem. Seguem porque carregam responsabilidade como quem carrega identidade. Seguem porque sabem que o humor da equipe, em muitos momentos, depende do clima que elas conseguem construir. No comercial, uma equipe frequentemente “empresta” energia da liderança: se a liderança desaba, desaba junto o ânimo, o ritmo, o foco e a produtividade. Por isso, a supervisora precisa sorrir quando o mês pesa, precisa colocar entusiasmo na sala mesmo quando, por dentro, está exausta; precisa deixar problemas pessoais do lado de fora para ser referência emocional do lado de dentro. Essa entrega é rara, e exatamente por ser rara deveria ser reconhecida como valor estratégico, não como obrigação.
Há uma verdade que o setor precisa encarar sem romantismo: supervisoras não ocupam apenas um cargo; elas exercem uma função estrutural. Onde há boa supervisão, há método, há cultura, há melhoria contínua, há equipe que cresce sem se destruir. Onde não há, a operação vira corrida desordenada, a meta vira punição e a venda vira um ciclo de desgaste que consome talentos e destrói bons times. Reconhecer supervisoras, portanto, não é fazer gentileza, nem “dar moral” para o operacional. É justiça com quem sustenta a consistência. É maturidade de mercado. É entender que resultado não nasce só do talento individual do corretor, mas do ambiente que é construído diariamente para que esse talento não se perca no caos.
Por isso, o Blog do Corretor registra esta homenagem como um gesto honroso, e, mais do que isso, como um chamado: é hora de o mercado olhar para suas supervisoras e gestoras com a grandeza que elas representam. Não se trata de um post bonito, de um aplauso simbólico ou de um elogio eventual; trata-se de reconhecimento constante, cultural, prático e visível. Que essas mulheres sejam lembradas não apenas quando o mês fecha bem, mas principalmente porque são elas que fazem o mês fechar. Que o setor compreenda, de uma vez, que sem supervisora não existe consistência; sem consistência não existe crescimento. A todas as supervisoras e gestoras do mercado de planos de saúde, nosso respeito, nossa gratidão e nossa afirmação pública: vocês não são coadjuvantes da venda, vocês são parte essencial da estrutura que sustenta o resultado.







