Por Emmanuel Ramos de Castro | Crítica
A live de 33min15s da Alice Saúde é, antes de tudo, um retrato raro no nosso mercado. Leveza com conteúdo. Nada de gritaria, nada de vaidade disfarçada de “treinamento”, nada de disputa por holofote. Débora Oliveira e Luca Freitas fazem o básico que quase ninguém faz bem: comunicam com clareza, doçura, ritmo e cumplicidade, e isso, para o canal corretor, vale ouro.
Começa no tom suave de sempre, com o recado certeiro: toda segunda, às 15h, tem live. E, desta vez, com um tempero comercial inteligente: março é aniversário de 7 anos e, no final, prêmios para corretores. Simples, direto, e com a mensagem que importa: “você é parte desse ecossistema”.
E aí vem o lado humano (e bom) do ao vivo. Um problema técnico atrasa o vídeo do Guilherme (sócio, participando gravado por estar viajando). A câmera fixa na Débora por tempo demais, ela fica visivelmente sem jeito, mas segura com um sorriso elegante, sem fazer drama e sem entregar nervosismo. Na volta, um pequeno delay rende uma cena que diz muito sobre a cultura do time. Luca, delicada e discretamente, toca no braço da Débora para avisar que estavam no ar. Sem constrangimento, sem bronca, sem estrelismo. Só parceria.
O cenário também evoluiu; nada de excessos. Fundo neutro, desfocado, paredes em bege, um visual que não compete com a mensagem. A live fica com cara de conversa séria, mas sem perder o clima gostoso que a Alice já transformou em marca.
Quando a câmera abre, entra o “gol” da transmissão: Pedro Rodrigues, sócio responsável pela construção da rede credenciada. Um convidado que não vem para “encher slide”; vem para dar substância. Tímido, sereno, seguro, ele conta que tudo começou com um hospital — o Oswaldo Cruz — e que rapidamente ficou claro que seria preciso ampliar rede para o modelo fazer sentido. Ele foi o escolhido para essa missão e não romantiza. Reforça o desafio real de montar uma operadora com proposta disruptiva.
Sete anos depois, ele entrega o número que o corretor quer ouvir (e usar na venda): mais de 1.100 hospitais, incluindo oito entre os melhores do ranking mais recente, e expansão de área com destaque para Cotia, uma ausência que, na prática, fazia corretor perder venda. Esse ponto é ouro porque conecta rede não a “branding”, mas a conversão.
Dali para frente, Débora e Luca acertam de novo. Transformam a live em um “podcast” (no melhor sentido) e deixam Pedro responder perguntas, com eles atuando como mediadores, não como protagonistas. Em uma das respostas mais simbólicas, Pedro crava o que pouca operadora fala com naturalidade: o crescimento vem de gestão, sim — mas também do corretor. E ele ainda dá nome ao porquê dessa proximidade. Atribui muito da sinergia com o canal à chegada da Débora Oliveira. Isso não é só elogio interno, é recado institucional para o mercado de que o corretor não é “meio”, é parceiro.
E então vem a revelação de crescimento, com cara de meta e desafio (não de “oba-oba”): 2025 teria começado com 35 mil membros, fechado com aproximadamente 80 mil, e a projeção/objetivo agora é chegar a 140 mil. É uma ambição grande, e justamente por isso funciona. Passa a sensação de empresa viva, com apetite e plano, e não apenas “campanha bonita”.
Pedro também promete mais entrega ao canal corretor e aponta um caminho que, se for executado, pode virar vantagem competitiva. Tecnologia agora dedicada, para destravar criatividade dos corretores e eficiência do time. Traduzindo: menos improviso, mais produto, mais consistência.
O detalhe que fecha a cena é silencioso, mas poderoso: Débora e Luca ficam ali, ouvindo com atenção e admiração aparente. Não interrompem, não atropelam, não tentam “tomar” a narrativa. Isso, para quem acompanha o mercado, é quase uma aula; o melhor apresentador é quem faz o convidado brilhar.
No fim, fica a sensação que pouca live entrega: foi uma delícia de assistir.
Se você ainda não viu, eu diria sem exagero: tem obrigação profissional de assistir. Clique aqui, veja e compare com o padrão do mercado. A diferença aparece nos detalhes, e é justamente aí que mora a credibilidade.







