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Publicado por Blog do Corretor

José Seripieri Junior: O elefante da saúde (embaixo do aparador!) Faltam estudos para avaliar reajustes dos planos

José Seripieri Junior: O elefante da saúde (embaixo do aparador!) Faltam estudos para avaliar reajustes dos planos


Do Uol - em 27/06/2018



Quais dos reajustes dos planos de saúde mais se sustentam? Os 5,72% baseados no IPCA-Saúde ou os 10% da ANS em 2018? Ou ainda os índices das operadoras nos planos coletivos, que na média giram em torno de 20%? Não se sabe, pelo simples fato de que não existe um índice oficial que reflita realisticamente o custo da saúde no Brasil.



Somente a partir dessa informação —suficientemente confiável, com metodologias e ampla base de dados tecnicamente sustentáveis, checados e validados por uma instituição de inconteste especificidade e reputação, em conjunto com a ANS e o mercado, e claro, com total transparência— é que poderemos, enfim, discutir novos caminhos para que os reajustes sejam justos a todos. 



Há uma lógica antiga no mercado, oriunda da era inflacionária, que é o simples repasse dos custos aos consumidores finais, a despeito da real capacidade de gestão interna de cada empresa. Mas a injustiça reside no fato de essa prática ignorar a real capacidade do consumidor de suportar tais reajustes.



Aos olhos — e no bolso — do cliente, que é quem no final paga essa conta toda e cuja renda nem de longe acompanha a escalada de aumento dos planos de saúde nos últimos anos, essa lógica tornou-se ilógica, já deixando de ser dolorida para ser hoje excludente. O drama é que isso se tornou uma novela, cujos capítulos se repetem há anos, sem nenhuma novidade num mundo que se renova quase que diariamente. 



Essa "lógica" ficou tão perversa a ponto de inverter um princípio econômico básico, no qual a coletividade teria maior capacidade de barganha do que uma pessoa física isolada, cujo poder é quase zero.

Contudo, os reajustes coletivos nos últimos anos têm sido, em média, superiores aos individuais autorizados pela ANS —segundo as operadoras, são índices insuficientes à reposição dos seus custos, razão pela qual se explicaria a escassez dos produtos individuais no mercado.



Na contramão dessa discussão, não faltam discursos imediatistas e "milagrosos" pedindo mais regulação (da ANS) sobre as operadoras —e só sobre elas, esquecendo-se dos demais atores que compõem e impactam diretamente a cadeia econômica da saúde suplementar. 



Estes também deveriam estar nesse bolo, mas ainda passam despercebidos, quais sejam: prestadores médicos em geral (clínicas, hospitais, laboratórios), fornecedores de materiais e de medicamentos, de próteses e órteses, etc.



Para a grande maioria deles, saúde também é um negócio, porém livre de qualquer regulação econômica.

Ora, se regulação por si só fosse a solução, já teríamos o melhor sistema de saúde privada do mundo, pois desde a criação da Lei 9.656/98 até hoje já foram editadas cerca de 3.000 diferentes tipos de atos normativos reguladores, fora os aproximados R$ 4 bilhões em multas já aplicadas.



Isso tudo, pelo visto, não tem sido eficaz na sustentabilidade de um sistema que atende hoje cerca de 47 milhões de brasileiros, com um faturamento bruto projetado em R$ 200 bilhões para 2018, mas que, paradoxalmente, vive uma das suas piores crises desde 1998.



Não existe mercado sem empresas e consumidores, ambos satisfeitos, dentro de políticas sustentáveis de livre mercado, com o Estado fazendo macrorregulações; mas, do jeito que as coisas vão, não vão --ou vão mal. Faltam diálogo e resposta às perguntas: qual é o custo da saúde no Brasil? Quanto é justo os planos cobrarem das pessoas? O que os planos e as pessoas devem cobrar do Estado? Precisamos dessas respostas para que os planos cobrem o justo das pessoas e as pessoas cobrem o justo dos planos.



José Seripieri Junior

Empresário, fundador e presidente do Grupo Qualicorp, administradora e corretora de planos coletivos


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14 comentários
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planos de saude sp
www.planosdesaudesp.net.br

Estranho esses reajustes mais vai em frente tudo sabe inflação.

REALISTA

COMENTÁRIO REMOVIDO

MALABARIS

COMENTÁRIO REMOVIDO

CONSTATAÇÃO

COMENTÁRIO REMOVIDO

Para Leonor ( só uma resposta é para vc ) outra serve para mercado.

Porque não podem, operadoras por lei precisa de uma administradora, quem fazem as leis??? nosso amigo elefante era amigo intimo de quem?? tudo no Brasil e politica ou estou errado?? tiram o pf substituindo por adesão onde na época que foi criado era apenas para entidades de classe e depois aberto para todos, e sobre empresarial porque precisa de 06 meses de abertura sabem porque? foi a pedido de quem?? e vcs ficam pegando no pé de sindicato, sindicato só vai atras de quem não anda correto ou estou errado?? Não sou partidário, não sou filiado a sindicatos, que fique claro. Só sei que uma hora isso tudo vira a toda, toda essa manipulação jogo de interesses ninguém acreditava na lava jato e aconteceu, o Rei da selva não é elefante e sim o Leão abre o olho como ele.

CURIOSO

Quando inventaram ( Junior) as administradoras estavam pensando em quem, no cliente ou no empresário???????? Belo NEGÓCIO para o empresário que fez fortuna em tão pouco espaço de tempo e FORCA para o cliente que iludido foi achando que tinha vantagens por pertencer a uma entidade de classe. Vejam os alimentos estão eliminando os pesticidas e concentrando a distribuição em hortas familiares pequenos produtores sem necessidade nenhuma de intermediários com mais qualidade e preço justo. O mundo mudou e ninguém percebeu. FORA INTERMEDIÁRIOS/ATRAVESSADORES.

REALISTA

Concordo plenamente com a Leonor...... Sempre foi assim e sempre será em qualquer mercado, quem encarece o produto final é o intermediário/atravessador. Querem diminuir o custo e consequentemente preço final para o cliente? ELIMINEM O INTERMEDIÁRIO/ATRAVESSADOR.

PESQUISADOR

Real mas muito preocupante: Hoje no mercado de venda de planos de saúde empresários honestos e desbravadores em suas essências estão de mãos amarradas e com suas produções em declínio pois há uma equação em funcionamento e pelo visto não se resolverá nunca por vários motivos ( sindicatos ineficientes, empresários e operadoras coniventes, órgãos públicos desinteressados, etc..): Maiores produtores = Maiores Fraudadores= Com produções sendo acatadas nas maiores corretoras= Com vendas formalizadas nas grandes operadoras= Com premiações e classificações em primeiro e segundo lugares recebendo trofeus em grandes eventos.... Infelizmente esta é a realidade, tendendo ao caos.... Não adianta o Junior vir com esse blá blá blá se a base ( VENDEDOR/CORRETORAS E OPERADORAS) onde tudo é gerado está podre....

Leonor

Antes de existirem as Administradoras dos planos os valores de reajustes jamais alcancaram este indice atual aplicados hoje, porque as Seguradoras e Assistencias Medicas nao administram seus planos? O que encarece e dobram o valor e sustentar as Administradoras !

Eliana

O que vejo hoje é um consumidor assustado que tenta a qualquer custo manter seu plano, vejo juízos concedendo liminares para remédios de auto custo que nem estão no Rol da Ans e como sempre sobra para o consumidor final!

Luiz Venânci

'Precisamos dessas respostas para que os planos cobrem o justo das pessoas e as pessoas cobrem o justo dos planos'.

Perfeita essa última frase do Junior. Resta saber quem vai dar essas respostas.

Zé Kri Kri

Para Hubble:
e tem também os pastinhas.
Sô Kri Kri ma num sô bobo

Dona de Corretora

Verdade, Hubble, temos os melhores quadros no que se refere ao empresariado. Só nos faltam regras claras e justas para que o mercado flua com segurança jurídica e financeira.

Hubble

Esse é fera !!
No mercado de planos de saúde brasileiro só tem fera: Samurai, Elefante da saúde...

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