Afinal, é preciso cortar o glúten da alimentação? Saiba o que especialistas dizem sobre os efeitos da proteína

Emmanuel Ramos de Castro

Emmanuel Ramos de Castro

Nutricionista do São Cristóvão Saúde comenta sobre o consumo de glúten e em quais casos sua ingestão não é recomendada

Por São Cristóvão Saúde

É cada vez mais comum encontrarmos produtos com a bandeira #glutenfree em prateleiras e mercados. Nas últimas duas décadas, o glúten, presente em ingredientes como o trigo, centeio e a cevada, tem sido objeto de repulsa por parte de best sellers e influenciadores. Eles defendem que o consumo de alimentos sem essa proteína, que eleva a qualidade de receitas de pães, massas e bolos, contribui para uma vida mais saudável. O que diz a ciência sobre isso?

De acordo com a Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil (Fenacelbra), o número de pessoas que excluem o glúten da dieta é muito maior do que o número de intolerantes e celíacos. Isso ocorre, possivelmente, em razão de um terceiro grupo de pessoas, que acreditam na relação entre o corte dessa proteína e emagrecimento e melhoria da saúde. Porém, segundo a Coordenadora de Gastronomia e Nutrição do São Cristóvão Saúde, Cintya Bassi, não há estudos conclusivos que confirmem essa hipótese, “mas é possível sim, emagrecer com a exclusão do glúten da dieta, não porque ele seja vilão, mas sim porque está presente em alimentos calóricos e frequentemente consumidos com pouco equilíbrio”, sinaliza a especialista. Como destaque, alimentos processados e fontes de carboidratos, que levam ao ganho de peso, possuem o composto.

Para entender melhor as questões de intolerância e contraindicações, a coordenadora de nutrição esclarece: “Existem os portadores da doença celíaca, que representam aproximadamente 1,4% da população mundial, nos quais desencadeiam-se reações no sistema imunológico quando o intestino entra em contato com a proteína. Além deles, há os indivíduos que são intolerantes ao glúten, uma condição mais leve, mas que está relacionada a desconfortos como inchaço, diarreia, constipação, dores abdominais, fezes com odor forte e dores de cabeça – que também se beneficiam da exclusão”.

Outra diferença é que, aos alérgicos, além de passar longe de alimentos com glúten, precisam ter atenção a cosméticos que contém essa proteína em sua fórmula, pois podem trazer efeitos nocivos ao organismo de quem possui sensibilidade ao componente.

Orientação

A nutricionista destaca a importância do acompanhamento profissional, para quem necessite ou queira abolir o glúten, de forma a manter a dieta equilibrada e evitar deficiência de nutrientes. Isoladamente, o componente não traz benefícios, mas o indivíduo pode sofrer com a falta dos nutrientes de alimentos nos quais o glúten esteja presente.  “A exclusão inclui por exemplo, os cereais integrais, que são importantes fontes de fibras e outros nutrientes, que são associados a manutenção do peso, redução do colesterol e prevenção de câncer de intestino. Para substituir o glúten, outras farinhas podem ser utilizadas nas preparações, como  farinha de arroz, polvilho doce e azedo, farinha de milho, mandioca, trigo-sarraceno e tapioca para uma mudança saudável”, explica Bassi.

Ou seja, não existe um único vilão ou nutriente que consiga mudar sua saúde de um dia para o outro. Lembre-se de que tudo que se come em excesso sobrecarrega o corpo. Como a cultura ocidental é rica na diversidade de pães e bolos, o segredo é manter uma refeição balanceada, alternando o consumo com outros alimentos. Cuidar de sua saúde inclui acompanhamentos periódicos junto a um time de profissionais qualificados.

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Emmanuel Ramos de Castro
Amante da literatura, poesia, arte, música, filosofia, política, mitologia, filologia, astronomia e espiritualidade.

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