Qual é o melhor momento para se posicionar em uma reunião, conversa ou apresentação?

Emmanuel Ramos de Castro

Emmanuel Ramos de Castro

O chamado “silêncio estratégico” pode trazer benefícios para os líderes

Por Cadu Altona, sócio fundador da EXEC

No ambiente corporativo, um dos grandes desafios encontrados é justamente esse: qual é o momento adequado para abrir a boca, seja para fazer um questionamento ou expor uma nova ideia? E quando isso envolve o líder?

Muitas vezes, identificar esse momento ideal não é algo fácil. Para demonstrar interesse e agir de forma participativa, muitas pessoas acabam falando demais, muitas vezes sem antes elaborar sua ideia de forma estruturada. E, outros, por outro lado, ficam com medo de falar. No entanto, há também aqueles que usam o silêncio a seu favor, o que os ajuda a alcançar seus objetivos.

De acordo com uma pesquisa recente feita pela Organization Behavior and Human Decision Process, assinada pelos pesquisadores Michael R. Parke, Subrahmaniam Tangirala, Apuva Sanaria e Srinivas Ekkirala, neste caso esses funcionários praticam o que se chama de “silêncio estratégico”.

Segundo o estudo, o silêncio estratégico pode ser uma ferramenta poderosa no momento de uma negociação, em uma entrevista ou em uma apresentação importante. Os líderes que aderem a esse tipo de postura controlam a exposição de suas ideias e pontos de vista até que chegue o momento certo de trazê-las à tona, recebem maior reconhecimento e recompensa como resultado

De acordo com Cadu Altona, sócio fundador da EXEC, consultoria especializada em Executive Search, o silêncio estratégico se torna cada vez mais essencial à medida que o executivo começa a galgar posições mais altas. “O peso da palavra de um líder é maior, o que faz com que ele tenha que desenvolver a competência de saber ponderar suas ideias, questionamentos e críticas e colocá-los de forma assertiva. Mas, para isso, ele precisa escutar mais”, explica.

Cadu Altona destaca ainda que a velocidade de evolução do mundo demanda que os líderes tomem decisões cada vez com mais rapidez. “O líder que observa, pondera e avalia tem a capacidade de ter um posicionamento mais impactante. Mostrará sua senioridade e será mais cirúrgico em suas colocações. O silêncio estratégico é uma competência que um bom líder precisa ter”.

Controle emocional

Para Altona, o controle emocional é um dos itens mais importantes que ajudam um líder a desenvolver o silêncio estratégico. “Normalmente um líder tem uma capacidade de raciocínio elevada, mas o equilíbrio emocional ajuda-o a ouvir mais e se posicionar no momento certo”, diz.

“Por meio da empatia, a liderança consegue ouvir o outro, deixa-o esgotar todas as possibilidades de fala e depois processa essas informações para retornar com uma reação, seja um questionamento, um direcionamento, um elogio ou mesmo uma crítica. Isso demanda muito autoconhecimento”, enfatiza.

Já para o colaborador, a pesquisa destacou que 89% dos colaboradores que optaram por adiar a exposição de sua ideia ou questionamento, teve como ponto crucial três aspectos: a relevância, prontidão e estado de espírito do líder. Além disso, quando chegou a hora de falar, se depararam com uma reação positiva da liderança.

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