Por Emmanuel Ramos de Castro | Da Redação
Ao longo dos meus 17 anos de trajetória à frente deste Blog do Corretor, minha retina foi treinada para distinguir o efêmero do perene. Vi pequenos impérios serem erguidos sobre areia e pequenas ideias se transformarem em pilares de sustentação para milhares de profissionais. Hoje, porém, escrevo com o peso de quem testemunha não apenas uma mudança de organograma, mas o encerramento de um capítulo que redefiniu a infraestrutura tecnológica do nosso mercado.
A Trindade Tecnologia nunca foi apenas uma empresa de software; foi um manifesto de credibilidade. Recordo-me vividamente de quando Leonardo Trindade e o veterano Ariovaldo Braco iniciaram essa jornada. Pertencentes a diferentes gerações, eles não enfrentavam apenas a concorrência; enfrentavam a inércia de um mercado tradicionalista. Com uma simbiose rara entre eficiência administrativa e conhecimento técnico profundo, eles transmutaram desconfiança em reverência.
O mercado, em sua voracidade analítica, não tardou a perceber que a Trindade possuía um DNA de excelência. A incorporação pela Agger/Dimensa foi o selo definitivo de que o projeto havia atingido a maturidade das grandes corporações. Como é de praxe em operações de M&A (Fusões e Aquisições) de alto nível, Leonardo permaneceu no comando para garantir a integridade da transição. Mas o intelecto criativo raramente se acomoda na manutenção do status quo.
Nesta terça-feira (10), em decisão tomada em comum acordo, foi oficializada a saída definitiva de Leonardo Trindade da Agger/Dimensa. É um momento de ambivalência emocional e estratégica. Para o mercado, fica a lacuna de uma liderança que compreendia as dores do corretor como poucos. Para Leonardo, fica o olhar contemplativo do arquiteto que vê sua obra ganhar vida própria. É o desapego necessário de um pai que, ao ver o filho atingir a plenitude, compreende que sua missão de guia foi cumprida com louvor.
O “vazio” que Leonardo deve estar a sentir não é de falta de propósito, mas sim o espaço necessário para o nascimento de novas disrupções. Antes de qualquer movimento futuro, ele se retira para um período sabático de dois meses, uma imersão cultural e gastronômica por novos continentes. É o respiro de quem venceu e agora se permite a introspecção antes de traçar o próximo meridiano de sua carreira.
A pergunta que Leonardo se faz “Como foi possível?” encontra resposta na própria trajetória. Foi possível porque houve coragem para inovar onde outros apenas repetiam processos. O Blog do Corretor saúda este executivo que não apenas vendeu tecnologia, mas entregou segurança e progresso para cada corretor que utilizou suas ferramentas.
O mercado de planos de saúde hoje é mais eficiente por causa de Leonardo Trindade. E o futuro, certamente, voltará a cruzar com sua mente inquieta.








